(Foto:túnel na ilha da Madeira)

Ás voltas eu andava
Fugindo sem rumo eu sei
Não sabia quem era ou onde estava
Só sei que muito tempo assim passei.

 

Destas longas e duras andanças
Fiquei com o corpo cheio de cicatrizes
e a alma cheia de tristes lembranças
Mais profundas que as minhas próprias raízes.

 

Em carne viva eram as feridas
Como companhia tinha a escuridão
Como parceiro tinha as desgraças sem medida
Vivia sozinho no meio da multidão.

 

Abril, mês de tempestades e furacões
Mês que tive ultrapassar relâmpagos e trovões
Tempo em que provei o sabor dos frutos amargos.
Vida esta que põem tudo em cacos.

 

Fui lançado aos horrores do inferno
Presenciei acontecimentos sem explicação.
Aprendi amargamente o significado de "eterno".
O destino tinha jogado as suas cartas
com a maior maléfica intenção.

 

Meu querido e doce irmão,
Apesar da distância sinto a tua mão.
Fisicamente estamos separados no tempo,
Mas nossas almas viverão sempre em união.

                                                                        (António Maia)

publicado por RO ALMADA às 11:25